Em medições de fibra óptica, a correta configuração do OTDR é decisiva para obter curvas limpas, confiáveis e tecnicamente válidas.
Parâmetros como largura de pulso, tempo de aquisição e alcance configurado influenciam diretamente na resolução, no nível de ruído e no alcance da medição.
Neste artigo, apresento um conjunto de configurações práticas utilizadas em campo para diferentes distâncias, acompanhadas de uma explicação técnica que ajuda a entender o porquê de cada escolha.
Tabela de Configurações Utilizadas
| Distância Configurada (km) | Largura de Pulso | Tempo de Aquisição |
|---|---|---|
| 1,5 km | 10 ns | 30 s |
| 40 km | 100 ns | 30 s |
| 80 km | 1 µs | 30 s |
| 160 km | 20 µs | 180 s |
Interpretação Técnica das Configurações
| Distância | Objetivo da Medição | Justificativa Técnica |
|---|---|---|
| 1,5 km | Alta resolução em curta distância | Pulso curto (10 ns) permite identificar eventos muito próximos, como conectores, emendas e microatenuações, com excelente definição. |
| 40 km | Equilíbrio entre alcance e resolução | Pulso intermediário (100 ns) mantém boa resolução sem comprometer a relação sinal/ruído. |
| 80 km | Medição de enlaces longos | Pulso de 1 µs aumenta a energia do sinal, permitindo maior alcance com leitura estável. |
| 160 km | Enlaces muito longos / backbone | Pulso largo (20 µs) aliado a maior tempo de aquisição melhora significativamente a relação sinal/ruído, compensando as perdas acumuladas. |
Como Esses Parâmetros se Relacionam
- Pulsos menores → Maior resolução, menor alcance
- Pulsos maiores → Maior alcance, menor resolução
- Maior tempo de aquisição → Menos ruído e curva mais estável
Na prática, isso significa que não existe uma configuração única ideal para todos os cenários. O técnico deve sempre ajustar os parâmetros conforme a distância do enlace e o nível de detalhamento necessário.
Boas Práticas em Campo
- Realizar medições em, pelo menos, dois comprimentos de onda (ex.: 1310 nm e 1550 nm)
- Garantir conectores limpos antes da medição
- Usar bobina de lançamento e, quando possível, bobina de recepção
- Salvar as curvas com identificação de local, data e técnico responsável
Conclusão
Padronizar configurações de OTDR para diferentes faixas de distância aumenta a confiabilidade das medições, facilita auditorias técnicas e reduz retrabalho.
As tabelas apresentadas servem como um ponto de partida sólido, podendo ser ajustadas conforme o equipamento utilizado e o tipo de enlace.
Documentar bem é tão importante quanto medir bem.
Esse é um passo essencial para redes mais estáveis, previsíveis e profissionais.